Araçá FM de Mari completa 28 anos: história sólida e desafios que precisam ser enfrentados

Foto: Reprodução Google/JKR Notícias 

Nesta segunda-feira, 5 de janeiro, a Rádio Comunitária Araçá FM, de Mari (PB), celebra 28 anos de existência. Ao longo de quase três décadas, construiu história, reuniu bons profissionais e manteve uma estrutura comparável à de rádios comerciais. Mas, apesar disso, muita coisa ainda precisa mudar.

A programação jornalística segue estagnada, engessada e distante do público. Radialistas como Jailton Alves e Mayara Paiva têm seu talento pouco aproveitado. 

O programa Liberdade de Expressão, transmitido diariamente, limita-se à leitura de matérias de veículos nacionais, sem apuração própria ou cobertura de fatos locais, afastando-se da comunidade e desperdiçando o potencial dos apresentadores, além de não aproveitar a rica audiência do horário do almoço em Mari.

O Araçá em Debate, transmitido aos sábados por cerca de três horas, agrada no formato -  muito original -, mas precisa de melhor organização. Uma sugestão: Mayara Paiva como condutora, ditando o ritmo; Emerson Aluísio como comentarista; e Alex Cândido em apoio à condução, oferecendo suporte nos comentários e na apresentação do programa, mantendo a dinâmica sem sobrecarregar os outros. O trio tem carisma e talento, mas carece de direção adequada.

Para fortalecer o jornalismo e aproximar ainda mais a rádio da comunidade, seria recomendável criar um programa jornalístico diário, das 6h às 8h da manhã, voltado à cobertura dos principais fatos do dia, das instituições e da cidade, destacando problemas e ocorrências locais e promovendo interação direta com os ouvintes.

A programação musical cumpre seu papel, assim como o conteúdo esportivo. Mas ainda falta mais cultura, pautas que conectem a rádio à identidade local e ao cotidiano da comunidade. Falta também atrair os fazedores de cultura do município, abrir espaço para ideias novas e criar programas mais alegres, que tragam inovação. 

Além do conteúdo, a Araçá FM precisa revisar sua identidade visual. A rádio precisa definir suas cores oficiais: é amarela ou verde? Ou serão ambas? Não dá para a pintura física ser amarela e o portfólio digital, em vários pontos, verde. A consistência visual é essencial para reforçar a originalidade.

O conteúdo digital e a programação também precisam de mais dinamismo, com chamadas mais claras e atraentes para os programas, fortalecendo potencial da rádio e engajando melhor o público.

A postura da rádio em relação a convidados e ouvintes também precisa ser revista. Entrevistas devem ter tempo adequado e não podem ser interrompidas. Quanto aos ouvintes, é natural que haja organização e limites de tempo, mas quando o tema abordado for de relevância coletiva ou factual, os apresentadores devem ceder mais espaço, permitindo que a população participe plenamente e contribua com informações importantes para a cidade.

A Araçá FM tem história, estrutura e profissionais talentosos. A rádio não precisa buscar apenas audiência; sua verdadeira missão é se aproximar dos cidadãos de Mari, impactar suas vidas e estar presente nos problemas da cidade. Nesse sentido, é hora de se reformular, voltar ao que sempre foi: uma voz próxima da comunidade, conectada aos fatos e às necessidades da população.

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