O que muda em Mari (PB) com a Emenda das Emendas Impositivas — e por que o tema volta agora

Foto: Reprodução Google/Câmara Municipal de Mari 

Embora promulgada em junho de 2025, a Emenda à Lei Orgânica que cria as emendas impositivas em Mari volta ao centro do debate político neste fim de ano. A razão é simples: a Câmara Municipal vai votar, agora em dezembro, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 — a primeira que já nasce sob o novo modelo.


O texto da emenda, aprovado no primeiro semestre, incorporou ao município a lógica das Emendas Constitucionais 86, 100 e 126, que obrigam o Executivo a executar parte dos gastos indicados pelos parlamentares.

O que passa a valer para os vereadores

Com a regra em vigor:

Cada vereador terá direito a apresentar emendas impositivas ao orçamento.

Essas emendas deixam de ser apenas sugestões e se tornam obrigatórias, dentro dos limites fixados pela própria Lei Orgânica.

A Câmara, portanto, passa a influenciar diretamente a alocação de parte dos recursos municipais.

Em termos práticos, os parlamentares ganham poder de direcionar verbas para bairros, entidades locais, pequenas obras e serviços específicos, que antes dependiam exclusivamente da concordância do Executivo.

Foto: Reprodução Google/Brejo News 


Impacto para o governo da prefeita Lucinha da Saúde

Para a prefeita, a mudança representa um ajuste significativo na gestão do orçamento:

Parte das verbas deixará de ser de livre escolha do Executivo.

A prefeitura terá que executar as despesas indicadas pelos vereadores, desde que atendam às exigências legais e orçamentárias.

Há um potencial de engessamento das contas, sobretudo em áreas onde o governo já opera com margem reduzida.

A votação do orçamento de 2026 será o primeiro teste para medir, na prática, quanto o Executivo perderá de autonomia e quanto a Câmara ganhará de capacidade de definir prioridades.

Por que o tema voltou agora

O assunto retorna ao debate porque:

1. 2026 será o primeiro orçamento elaborado já sob a nova regra.

2. Os vereadores só poderão exercer totalmente o direito às emendas impositivas nesta LOA, e não retroativamente.

3. A prefeitura terá de demonstrar como pretende absorver essa obrigatoriedade dentro da peça orçamentária.

Na prática, o que foi aprovado no primeiro semestre só ganha efeito concreto agora, quando os números de 2026 entram em votação.

Explicação rápida

A lei que cria as emendas impositivas foi aprovada no primeiro semestre, mas só vale de verdade agora porque o orçamento de 2026 está sendo votado. A partir deste ano, os vereadores terão o direito de indicar gastos que a prefeitura será obrigada a cumprir. Isso dá mais poder ao Legislativo e reduz a liberdade da prefeita para decidir sozinha onde aplicar parte do dinheiro público.

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