ANÁLISE | Entre avanços e gastos questionáveis: o balanço da presidência da Câmara de Mari (PB)

Foto: Reprodução Google/Câmara Municipal de Mari 

Durante entrevista concedida nesta segunda-feira (29) aos radialistas Assis Firmino e Carlos Alcides, no programa Paraíba em Pauta, a presidente da Câmara Municipal de Mari (PB), vereadora Djá Moura, apresentou um balanço amplamente positivo de sua gestão à frente do Legislativo. Reformas estruturais, modernização do prédio, aquisição de mobiliário e a implantação de serviços digitais foram citados como marcos administrativos.

Há, de fato, elementos concretos a serem reconhecidos. A reforma do prédio da Câmara, com investimento de R$ 45.349,16, responde a uma demanda necessária de melhoria das condições físicas do Legislativo. A digitalização de procedimentos também acompanha uma tendência necessária de modernização da administração pública.

Mas uma análise mais detida dos números revela um segundo plano menos confortável: o custo da engrenagem administrativa em relação ao volume real de atividades da Casa.

Em 2025, a Câmara Municipal de Mari realizou apenas sete processos licitatórios. Ainda assim, mantém um contrato de R$ 22 mil por inexigibilidade para assessoria e acompanhamento de processos licitatórios — valor que corresponde a R$ 2 mil mensais por 11 meses. A questão que se impõe não é a legalidade formal do contrato, amparado pela Lei nº 14.133, mas a proporcionalidade entre custo e demanda.

O mesmo raciocínio se aplica a outros gastos recorrentes. A contratação de assessoria jurídica especializada soma R$ 55 mil. As despesas com combustíveis chegam a R$ 61,8 mil. Já a locação de veículos, em diferentes contratos, ultrapassa R$ 87 mil, considerando valores homologados e pagos.

Somam-se a isso despesas médias mensais de aproximadamente R$ 6 mil em publicidade institucional, um valor significativo para um Legislativo de pequeno porte, que opera com orçamento limitado e baixa complexidade administrativa.

É justamente nesse ponto que surgem as maiores interrogações. Tramita no Ministério Público um inquérito civil (nº 064.2025.001064) que apura possível pagamento de publicidade institucional a uma empresa com apenas dois meses de existência. O simples fato de haver investigação já impõe cautela e exige transparência reforçada por parte da gestão.

O discurso de eficiência administrativa precisa dialogar com o princípio da economicidade. Modernizar não é apenas gastar melhor; é gastar menos quando possível. Estruturas enxutas são, hoje, um parâmetro de boa governança, especialmente em municípios pequenos, onde cada real tem impacto direto no serviço público.

A presidente da Câmara tem, sim, serviços prestados. Mas o conjunto dos dados aponta para uma gestão marcada por custos elevados e despesas fixas que parecem descoladas da real dimensão das atividades legislativas.

Em tempos de escassez fiscal e cobrança crescente por responsabilidade no uso do dinheiro público, o desafio não é apenas mostrar obras ou contratos assinados — é demonstrar que cada despesa resiste ao crivo da necessidade, da proporcionalidade e do interesse público.

É nesse equilíbrio, ainda instável, que a gestão da Câmara de Mari será, inevitavelmente, julgada.

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