Mesmo com licitação de R$ 1,2 milhão em andamento, Mari (PB) segue sem medicamentos básicos
Pregão aberto em abril segue parado após publicação da ata de vencedores; população denuncia desabastecimento na farmácia municipal e no hospital
Postos de saúde desabastecidos, hospital com insumos racionados e pacientes saindo de mãos vazias. Essa é a realidade em Mari, na Zona da Mata paraibana, mesmo após a Prefeitura ter lançado uma licitação de R$ 1.198.309,96 para aquisição de medicamentos destinados à rede pública municipal.
O pregão eletrônico nº 9/2025, aberto em 14 de abril, previa o fornecimento parcelado de 45 tipos de remédios para atender a farmácia básica, o Hospital Municipal Sagrado Coração de Jesus e os PSFs. A empresa Express Distribuidora de Medicamentos LTDA foi declarada vencedora, com proposta no limite do valor orçado. No entanto, o processo ainda não foi homologado, e nenhuma entrega foi realizada até o momento.
A ata de julgamento com o nome da empresa vencedora foi publicada em junho, quase dois meses após a abertura do edital. O documento, porém, ainda não foi homologado nem transformado em contrato, o que impede o início formal das entregas.
Enquanto isso, moradores relatam falta de medicamentos básicos como paracetamol, dipirona e anti-hipertensivos. Profissionais de saúde da rede também denunciam ao jornalismo Paraíba 2.0 a escassez.
Remédios previstos, mas sem data para chegar
A lista da licitação inclui medicamentos de uso comum, como paracetamol (3.600 unidades), espironolactona (6.000 und.), ondansetrona (17.280 und.), prometazina (100.800 und.), além de antidiabéticos, corticoides e analgésicos. O medicamento mais caro do edital é a ondansetrona 4mg, orçada em R$ 747 mil, o que representa 62% do valor total licitado.
Apesar disso, nenhuma previsão oficial de entrega foi divulgada pela Prefeitura.
Transparência ausente
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Mari não respondeu aos questionamentos enviados por e-mail e telefone. Até esta segunda-feira (7), o Portal da Transparência do município também não informava qualquer movimentação contratual ou cronograma de execução da compra.