Prefeita de Mari (PB) designa filho como gestor e sobrinho como fiscal de contrato de R$ 1,7 milhão
Foto: Reprodução Google/Site RotaPB - Robério Santos, Secretário de Infraestrutura, Habilitação e Urbanismo de Mari
Ambos foram designados no mesmo dia: 18 de fevereiro de 2025, conforme os termos de nomeação assinados no Gabinete da Prefeita.
R$ 1,7 milhão em materiais de construção
O contrato foi firmado a partir do Pregão Eletrônico nº 003/2025, com o objetivo de adquirir, de forma parcelada, materiais de construção para manutenção e reforma de praças e prédios públicos do município. O valor total empenhado foi de R$ 1.795.735,75, dividido entre duas empresas contratadas: Joselma Albuquerque Monteiro de Franca – ME e EVP Sousa Ltda.
Três obras em seis meses: onde está sendo usado o material?
A reportagem identificou, com base em informações da própria Prefeitura de Mari, apenas três obras em andamento ou concluídas no município nos primeiros seis meses de 2025:
Revitalização do Coreto – 100% concluída;
Reforma da Praça da Matriz – com sinais de retomada recente após longo período de paralisação;
Banheiros da rodoviária – paralisados por completo, sem previsão de conclusão.
O número reduzido de obras visíveis levanta dúvidas sobre onde e como os materiais adquiridos estão sendo utilizados. O contrato é milionário, mas os resultados ainda não aparecem nas ruas — e a fiscalização está nas mãos da própria família da prefeita.
Família no controle: gestão e fiscalização no mesmo núcleo
Na prática, a prefeita Lucinha da Saúde autorizou que dois membros da própria família fiquem responsáveis pela gestão integral do contrato: o filho administra os recursos e os pagamentos; o sobrinho deveria garantir que tudo esteja sendo feito corretamente.
Essa concentração de funções dentro do mesmo núcleo familiar viola princípios constitucionais da moralidade e impessoalidade administrativa, comprometendo a transparência e a legitimidade do processo.
Câmara em silêncio, população sem respostas
Apesar da gravidade, nenhum dos 11 vereadores manifestou-se. O Legislativo municipal segue sem cumprir seu papel de fiscalização.
Discurso de crise, prática de excessos
A prefeita assinou, em junho, um decreto de contenção de despesas, alegando dificuldades fiscais. Mas ao mesmo tempo, autorizou contratos milionários com empresas de eventos, gráficas e marketing institucional — e agora, a compra de materiais de construção com fiscalização centralizada na própria família.
A quem interessa o silêncio?
A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Mari para questionar os critérios das nomeações e o destino dos materiais adquiridos. Até o momento, não houve resposta.