EXCLUSIVO: Prefeitura de Mari (PB) opera rede paralela de comunicação com 20 canais sem transparência nos gastos

Foto: Reprodução Google/Prefeita Lucinha da Saúde durante entrevista na rádio Cultura FM - emissora não consta na relação dos 20. Foto meramente ilustrativa.  


Um levantamento exclusivo do jornalismo Paraíba 2.0 identificou 20 canais de mídia — entre sites, blogs, perfis no Instagram e páginas anônimas — que atuam de forma coordenada na divulgação de conteúdos institucionais da Prefeitura de Mari (PB). A lista vai de portais com nomes conhecidos da região até perfis recém-criados, sem identificação clara, que repetem as mesmas peças de divulgação.

O que mais chama atenção é a completa falta de transparência. Nos últimos seis meses, nenhum contrato, empenho ou repasse foi localizado no sistema Sagres do Tribunal de Contas da Paraíba que justifique qualquer tipo de publicidade paga por parte da Prefeitura. Até mesmo o programa institucional exibido na rádio comunitária Araçá FM, que conta com entrevistas da prefeita e secretários, não possui registro público de financiamento.

Outro dado que reforça a suspeita de operação irregular: o conteúdo oficial é reproduzido de forma simultânea nos 20 veículos mapeados. Isso indica a existência de uma estrutura centralizada de produção e envio de material institucional — algo incompatível com a narrativa de mídia espontânea ou voluntária.

> Por respeito à apuração dos fatos e ao devido processo de investigação, os nomes dos 20 canais não serão divulgados publicamente neste momento. A lista será entregue exclusivamente aos órgãos de fiscalização competentes, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, para que as providências legais sejam tomadas com base em critérios técnicos e legais.

Diante dos indícios, surgem perguntas inevitáveis:
Quem financia essa rede?
De onde vem o dinheiro?
Como são feitos os pagamentos se não há registro nos sistemas oficiais?

A hipótese mais grave é a de uma rede paralela de comunicação financiada por fora da contabilidade pública, por meio de empresas de fachada, notas frias ou pagamentos indiretos, prática comum em esquemas de desvio de verba e compra de apoio midiático.

O jornalismo Paraíba 2.0 irá protocolar pedidos de informação com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Prefeitura, ao Ministério Público da Paraíba e ao Tribunal de Contas, exigindo a divulgação dos contratos e relatórios de veiculação de publicidade institucional referentes aos últimos seis meses.

Enquanto a prefeita Lucinha da Saúde (PSB) intensifica o uso de maquetes digitais e discursos promocionais nas redes, os canais que a exaltam permanecem sem qualquer transparência. A suspeita é clara: uma operação de blindagem midiática montada com dinheiro público, mas longe dos olhos da fiscalização.

Mari precisa saber quem paga por essa propaganda disfarçada de jornalismo — e por quê.

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