EDITORIAL | Professora Marizete: um tributo à ética na vida pública
Em tempos de transformações rápidas e de um cenário político municipal frequentemente marcado por disputas acirradas, interesses difusos e ausência de compromissos duradouros com o bem coletivo, nomes como o da Professora Marizete Vieira de Oliveira merecem mais do que menções protocolares: merecem reverência. Aos 67 anos, ex-candidata a vereadora nas eleições municipais de 2024 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), dentro da Federação Brasil da Esperança, a ex-parlamentar representa uma exceção rara — e cada vez mais valiosa — no universo da política local: a coerência ética como fio condutor da vida pública.
Natural de Mari, cidade da Paraíba, Marizete teve sua passagem pela Câmara Municipal nos anos 1990, período em que exerceu com dignidade o mandato de vereadora, deixando o parlamento no início dos anos 2000. Sua atuação parlamentar, embora limitada no tempo, marcou um padrão de conduta pública que permanece como referência. Desde então, ainda que afastada dos quadros do poder formal, jamais se ausentou das lutas da comunidade, mantendo-se como voz serena e lúcida nas causas sociais e na defesa dos mais vulneráveis.
Professora de ofício e por vocação, fez da sala de aula e dos espaços comunitários sua trincheira silenciosa, mas eficaz. Não obteve êxito em sua última disputa eleitoral, mas o resultado das urnas não é, nem de longe, reflexo de sua contribuição ao município. A política, como bem sabemos, nem sempre é justa em suas recompensas. Marizete não é uma personagem moldada pelos algoritmos, tampouco uma figura de gabinete. É mulher de fala mansa, de presença discreta, mas de retidão inegociável.
Em meio a uma paisagem política onde alianças se esgarçam ao sabor do oportunismo e onde o discurso frequentemente se dissocia da prática, Marizete permanece símbolo isolado — e, por isso mesmo, precioso — de respeito e ética. Sua trajetória não se construiu com holofotes, mas com coerência. Não com promessas efêmeras, mas com ações silenciosas e firmes.
Este jornal, que tem por ofício a vigilância crítica do poder, presta hoje um tributo à cidadã Marizete Vieira de Oliveira. Que sua trajetória sirva de inspiração para as novas gerações de lideranças e que Mari jamais perca a memória daqueles que, mesmo longe dos cargos, seguem fazendo política no sentido mais nobre do termo: servir ao público com honestidade, dedicação e humanidade.