CPI, rachadinha, livros fantasmas e um encontro fora da agenda: os bastidores quentes da política em Mari (PB)


Foto: Reprodução Google/Rádio Cultura FM 


A semana começa com movimentações de alto risco político em Mari, na Zona da Mata paraibana. Informações obtidas pelo jornalista independente Wagner Ribeiro revelam que a prefeita Lucinha da Saúde (PSB) tem encontro marcado — fora da agenda oficial — com um grupo de seis vereadores que pode ocorrer nesta segunda-feira, 16 de junho. O motivo: desarticular, ou ao menos conter, o avanço das articulações para uma CPI do Fundeb.

O grupo é o conhecido G6, composto por Djá Moura (presidente da Câmara), Tânia de Professor Josa (vice-presidente), Professor Erivan, Valeska Magalhães, Ronaldinho Cabral e Emanuelly de Lói. O G6 nasceu ainda no início da legislatura, numa manobra que derrotou o então favorito Alisson Cunha e surpreendeu a base governista. Mas desde então, o bloco passou por abalos — com duas vereadoras, Tânia e Emanuelly, se aproximando do governo.

Mesmo com essa rachadura, as discussões sobre uma CPI do Fundeb avançaram. Um ex-vereador, que acompanha de perto as tratativas, afirmou à coluna que já existe uma minuta de documento pronta para possível formalização do pedido, sinalizando que o grupo não recuou da ideia.

Ao mesmo tempo, uma nova denúncia exclusiva publicada por esta coluna nesta segunda-feira (16) lança ainda mais tensão sobre a gestão municipal: servidores relataram que valores superiores aos salários estariam sendo lançados nos contracheques, mas sem repasse integral aos funcionários — o que configuraria a prática ilegal conhecida como rachadinha. Fontes relataram ao jornalista independente Wagner Ribeiro, sob anonimato, que parte dos valores seria recolhida após o pagamento, fora do sistema oficial da folha. Caso confirmado, trata-se de desvio direto de recursos públicos.

Mas os problemas não param aí. Documentos públicos obtidos pelo jornalismo do Paraíba 2.0 revelam outro ponto obscuro: a Prefeitura de Mari empenhou mais de R$ 1,4 milhão em compras de livros didáticos junto a uma única empresa. Segundo apurado, há sérios indícios de que os materiais sequer tenham sido entregues na rede municipal de ensino. Ou seja, o município teria pago, com recursos públicos, por livros que nunca chegaram às mãos dos alunos.

Em paralelo, também há questionamentos sobre a aquisição de mochilas escolares, compradas por R$ 90 (simples) e R$ 120 (com rodinhas) — valores considerados acima da média praticada no mercado, conforme levantamento informal feito pela reportagem.

O resultado é um cenário de pressão crescente, tensão entre Legislativo e Executivo, e múltiplas frentes de crise simultâneas.

Se o grupo dos seis vereadores realmente formalizar o pedido de CPI, será um divisor de águas na política local. Se as denúncias forem aprofundadas, a gestão Lucinha da Saúde terá que responder não apenas politicamente, mas possivelmente também judicialmente.

Mari assiste. E, desta vez, ninguém mais pode fingir que não está vendo.

Reportagem: Jornalismo Paraíba 2.0 em parceria com o jornalista independente Wagner Ribeiro 

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