A agonia da Araçá FM: quando a rádio comunitária vira reduto de conveniências em Mari (PB)
Por Wagner Ribeiro
A Araçá FM nasceu para ser do povo. Hoje, serve a poucos.
A resposta que recebi da direção da emissora — após ser forçado a enviar um ofício cobrando explicações pelo meu impedimento de participar, por telefone, da programação — é um documento que merece ser arquivado. Não pela relevância do conteúdo, que beira o nulo, mas como símbolo do desmonte silencioso de um projeto coletivo.
A nota assinada por José Joaquim da Silva, diretor-presidente da associação, diz que “não há nenhuma decisão” que proíba minha participação. Também afirma não haver norma interna que me vede o direito de falar. Em resumo: tudo é permitido, mas nada acontece. É o tipo de resposta que confirma o veto enquanto tenta negá-lo.
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A Araçá FM parece ter adotado uma política editorial curiosa: quem ajudou a fundá-la não pode mais participar. Quem critica, questiona ou pensa diferente virou persona non grata. A pluralidade foi trocada pelo aplauso. A rádio, que deveria ecoar as vozes da comunidade, se transformou num balcão de favores e numa vitrine para os ungidos do poder local.
Não há nada mais anticomunitário do que uma rádio comunitária capturada. A emissora hoje se esconde atrás de “princípios” vagos para justificar o injustificável. Diz que não admite “fala que inferiorize os outros” — mas, convenhamos, o que realmente incomoda ali não é o tom, e sim o conteúdo. A crítica virou ameaça. O contraditório, ofensa.
Nos corredores do poder municipal, é sabido que a Araçá FM já não atua como ferramenta de comunicação cidadã. Tornou-se extensão oficiosa do gabinete, operando sob a lógica do alinhamento. Quem não joga o jogo é calado. E quem ousa denunciar o jogo, vira inimigo.
O mais triste disso tudo? A traição ao próprio nome: “comunitária”. Palavra que, por ali, perdeu o sentido. A comunidade agora assiste de fora. E, como eu, é silenciada — com ou sem ofício.