Hospmed: a empresa por trás da crise no abastecimento de remédios em Mari (PB)
Em vídeo gravado e enviado à imprensa, o setor jurídico da secretaria afirmou — sem citar nominalmente a fornecedora — que o descumprimento de cláusulas contratuais por parte da empresa foi determinante para o desabastecimento. A empresa não entregou os medicamentos nos prazos acordados, comprometendo o atendimento da população. (Veja o vídeo)
Série de contratos
Dados públicos do Portal Sagres Cidadão, do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), revelam que só em 2025, a Hospmed foi beneficiada com quatro contratos públicos da Prefeitura de Mari, totalizando R$ 2.110.435,04. Todos os processos ocorreram por meio de Pregão, sob a nova Lei de Licitações (14.133/2021).
Confira os contratos firmados:
Licitação nº 00007/2025
Valor: R$ 699.970,33
Objeto: Materiais médico-hospitalares para veículos da Secretaria
Homologação: 19/03/2025
Licitação nº 00005/2025
Valor: R$ 401.847,20
Objeto: Medicamentos da farmácia básica
Homologação: 27/02/2025
Licitação nº 00002/2025
Valor: R$ 481.160,50
Objeto: Medicamentos injetáveis
Homologação: 17/02/2025
Licitação nº 00003/2025
Valor: R$ 527.457,01
Objeto: Medicamentos psicotrópicos
Homologação: 17/02/2025
Empresa milionária, fachada modesta
Apesar dos altos valores envolvidos, a estrutura física da Hospmed contrasta fortemente com os contratos que assumiu. O endereço oficial da empresa está registrado em Paulista (PE), em um prédio modesto, com fachada simples, sem sinais de uma estrutura logística capaz de armazenar e distribuir medicamentos em larga escala, como os contratos exigiriam. A desproporção entre o capital social declarado — R$ 200 mil — e os mais de R$ 2 milhões em contratos públicos — apenas em Mari — levanta questionamentos sobre a capacidade real da empresa de cumprir suas obrigações.
Foto: Reprodução Google/T.F. Alexandre Distribuidora de Medicamentos, que atua sob o nome fantasia Hospmed.
Falta de ação imediata
Documentos oficiais também mostram que, mesmo com sinais claros de problemas, a Pasta da Saúde demorou a agir. A secretária de Saúde, Virgínia Cavalcante, conforme apuração, já sabia da situação muito antes da crise se tornar pública. Ainda assim, medidas emergenciais só foram tomadas em março, quando foi homologada, por dispensa de licitação, uma nova contratação de R$ 50.500,00 com a empresa Mari Produtos Farmacêuticos Eireli.
O novo contrato visava suprir as necessidades emergenciais das unidades de saúde, mas expôs a demora e a fragilidade da gestão municipal da saúde diante do colapso no abastecimento.
Parlamentares já alertavam desde o início
Ainda nos primeiros cem dias do ano de 2025, um grupo de parlamentares da Câmara Municipal de Mari cobrou com veemência da gestão municipal a regularização da compra de medicamentos para as unidades básicas. Os alertas, que chegaram a ser levados em sessões ordinárias e por meio de ofícios, indicavam o risco iminente de desabastecimento e reforçavam a necessidade de agilidade e responsabilidade com a saúde pública.
Revisão, sucessão e judicialização
Diante da gravidade, o setor jurídico da Secretaria Municipal de Saúde informou que está tomando providências. Certamente a secretária Virgínia Cavalcante determinará a revisão integral dos contratos firmados com a Hospmed e anunciará que haverá substituição da empresa fornecedora. Além disso, a gestão deverá acionar judicialmente a distribuidora por descumprimento contratual, buscando reparação e responsabilização.