Caldas Brandão/PB | Município pequeno, contratos milionários: gestão de Fábio Rolim é alvo de denúncias

A cidade de Caldas Brandão, no interior da Paraíba, enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história administrativa. Com pouco mais de 5.800 habitantes, o município é palco de uma sequência de denúncias envolvendo contratos milionários e supostas irregularidades que colocam a gestão do prefeito Fábio Rolim (PSB) sob intensa pressão.

No centro das críticas está o que a oposição classifica como inversão de prioridades. Apesar das reclamações por falta de medicamentos, escolas sem manutenção e estradas em situação precária, a prefeitura homologou contratos que, somados, ultrapassam a casa dos R$ 8 milhões em pouco mais de quatro meses.

Entre os contratos mais polêmicos está a licitação de R$ 426 mil para próteses dentárias. A aquisição surpreendeu até radialistas da região, que questionaram a proporcionalidade da compra com base no número de habitantes. “É como se cada família do município fosse receber uma prótese completa”, ironizou um apresentador do Sistema Arapuan. 

Outro ponto de estrangulamento na gestão é o gasto com eventos festivos. Apenas com estruturas de apoio (buffers), a prefeitura gastou R$ 9.800,00 em uma única noite, durante apresentação da banda Aldair Playboy. A contratada, Célia Eloi de Araújo, já soma R$ 182 mil em pagamentos com serviços semelhantes, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB).

Para a vereadora Rosângela Andrade, trata-se de um retrato claro de descompromisso com a realidade local. “Falta o básico para a população, e o prefeito segue priorizando shows e aparências. A cidade está no caos”, disse nas redes sociais. 

CRISE AMPLIADA

A situação se agrava com licitações de valores elevados que atingem áreas sensíveis, como:

R$ 1.761.000,00 para compra de combustíveis em janeiro, com apenas um fornecedor;

R$ 1.690.000,00 para locação de estruturas de som para eventos;

R$ 127.995,00 para podagem urbana, com ausência de concorrentes;

R$ 2.937.513,70 em gêneros alimentícios para merenda escolar, valor considerado desproporcional à estrutura educacional da cidade.

Em paralelo, a prefeitura contratou por R$ 7.990,00 mensais a locação de um Jeep Renegade para o gabinete do prefeito, veículo de luxo pouco condizente com a situação financeira e social do município.

AUMENTO DA TENSÃO POLÍTICA

O clima político é de forte tensão. Setores de oposição preparam representações ao Ministério Público para investigar suspeitas de superfaturamento, direcionamento de licitação e uso indevido de verba pública.

Nos bastidores, aliados do governo admitem preocupação com a repercussão dos casos, especialmente em ano pré-eleitoral. “Fica difícil defender uma gestão estando assim", disse um aliado, sob condição de anonimato.

SILÊNCIO OFICIAL

A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Caldas Brandão por telefone, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Para a população, o cenário é de abandono. “A cidade está largada. Só se fala nesses contratos, mas o básico falta”, lamentou uma  moradora da zona rural por telefone. 

A crise em Caldas Brandão parece longe do fim — e a pressão sobre o prefeito Fábio Rolim cresce à medida que os escândalos se acumulam.


Foto: Reprodução Google/Redes Sociais Prefeitura Municipal de Caldas Brandão 

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