Análise | Comunicação institucional em Mari: entre o ruído e o acerto
A comunicação da Prefeitura de Mari tem vivido um dilema que beira o amadorismo. Com 14 assessores, críticas se acumulam sobre a desorganização, a falta de postura técnica e, sobretudo, o excesso de ruído na linha institucional. Ao invés de informar, muitas vezes a estrutura se perde em disputas internas e discursos rasos — cenário comum quando se confunde militância com comunicação pública.
No entanto, nesta terça-feira, 13, houve uma exceção digna de nota. A entrevista do coordenador Marcos Sales, chefe da Comunicação da gestão Lucinha da Saúde, na Rádio Araçá FM, destoou positivamente. Sóbria, clara e sem os exageros que normalmente comprometem o discurso oficial, sua fala sinalizou uma tentativa real de ajustar o tom institucional.
Não é um feito pequeno, considerando que a mesma rádio tem sido palco de participações vexatórias de membros do chamado "rádio escuta", um grupo de assessores que, ao invés de fortalecer a imagem da prefeita, tem se notabilizado por um ativismo pouco produtivo — mais atrapalhando do que esclarecendo.
O que se espera de uma comunicação institucional não é bajulação. A prefeita Lucinha da Saúde, como qualquer gestora pública, não precisa ser vendida como “a melhor de todos os tempos”. Precisa, sim, de uma equipe técnica que compreenda o papel republicano da informação pública: clareza, equilíbrio e capacidade de dialogar com a população em seus múltiplos níveis de compreensão.
A fala de Marcos Sales, ao evitar o enaltecimento vazio e adotar um tom mais ponderado, aproxima-se do que se espera de uma política de comunicação responsável. Um passo ainda modesto, mas que aponta para o que pode — e deve — ser aprimorado: menos ruído, mais conteúdo. Menos slogan, mais institucionalidade.
Se haverá continuidade nesse caminho, só os próximos microfones dirão. Mas o sinal foi dado. E é bom que seja ouvido.