CRÍTICA: Mari vive um apagão na comunicação institucional
O governo da prefeita Lucinha da Saúde, em Mari (PB), tem mostrado uma gestão marcada pelo pragmatismo, ações concretas e equilíbrio na condução da máquina pública. Há investimentos, entrega de serviços e uma agenda administrativa relativamente bem conduzida. No entanto, um problema cada vez mais evidente ameaça comprometer os avanços alcançados: a comunicação institucional segue desorganizada, frágil e sem estratégia.
Mesmo com a chegada do experiente comunicador Marcos Sales para reestruturar a pasta, o resultado até agora é decepcionante. A promessa de modernização da comunicação e de maior proximidade com a população ainda não saiu do papel. O modelo permanece engessado, e o efeito prático tem sido quase nulo.
A equipe atual conta com 14 nomes — entre assessores e profissionais ligados à empresa de marketing contratada pela prefeitura. São, inclusive, figuras conhecidas da comunicação local. A estrutura existe, o investimento também. Mas os frutos não aparecem.
Nas participações em programas de rádio, por exemplo, é nítida a falta de preparo dos representantes do governo. Muitos vão ao ar no improviso, sem conteúdo estruturado ou dados concretos. A comunicação falha não apenas na forma, mas também na credibilidade: é comum que a imprensa divulgue informações antes mesmo que o governo se pronuncie oficialmente. Isso mina a autoridade institucional e gera desinformação.
Nas redes sociais, a situação não é melhor. Os canais oficiais carecem de conteúdo informativo, explicativo e contextualizado. Os textos são esparsos, quando existem, e muitas vezes nem sequer indicam a origem da informação. Já os vídeos institucionais, embora com efeito prático, são repetitivos e cansativos. Falta criatividade, inovação e cuidado com a saturação visual da população.
Outro problema grave está na relação com a imprensa local. Muitos assuntos pairam no ar sem resposta concreta do governo. A comunicação, em vez de dialogar, silencia. Não se pode escolher apenas os veículos com maior audiência. É necessário falar com todos: do pequeno blog comunitário à rádio mais ouvida da cidade.
A comunicação pública tem como missão informar, aproximar e prestar contas. Quando isso não acontece, o governo perde sua principal ponte com o cidadão. O resultado? Uma gestão que faz, mas não aparece — e que, aos olhos da população, pode parecer ausente ou desorganizada, mesmo quando trabalha.
É urgente uma mudança de postura. Comunicação não é acessório, é eixo estratégico de qualquer governo que queira ser compreendido e valorizado. O governo Lucinha da Saúde tem feito sua parte na gestão, mas se não ajustar sua voz, corre o risco de não ser ouvido.
Foto: ReproduçãoInstagram /Portal Umari – reunião da equipe de comunicação: 10 assessores, 4 profissionais terceirizados e 1 convidado