CONTRA-EDITORIAL | O peixe é institucional. O abraço, não. Cada gesto no seu tempo, e cada fala no seu lugar


Na Semana Santa, a Prefeitura de Marí fez o que uma gestão pública comprometida deve fazer: entregou alimentos básicos às famílias que mais precisam. Arroz, cuscuz, leite de coco e o tradicional peixe compuseram um kit digno, completo e, sim, inovador para os padrões históricos do município. Um ato de política pública, com orçamento, planejamento e logística – como manda a responsabilidade administrativa.

Mas houve também outro gesto. Um gesto que não se imprime em edital, nem cabe numa planilha de execução: o abraço da prefeita Lucinha da Saúde. Um por um. Sem pressa, sem filtro, sem afetação. Um ato simples, humano e, por isso mesmo, poderoso. Um gesto pessoal, simbólico, político no melhor sentido da palavra. Era o abraço que muitos esperavam. Não o do cargo – mas o da mulher que ocupa o cargo.
E é aqui que precisamos fazer uma distinção que o editorial não fez: confundir o que é institucional com o que é pessoal é um erro de narrativa, não de comunicação.

A assessoria de comunicação da Prefeitura fez o que lhe cabia: registrar e divulgar a entrega de um benefício social relevante, assegurado com recursos públicos e distribuído com responsabilidade. O peixe e os alimentos entregues não são favores – são direitos garantidos pelo poder público e, por isso mesmo, devem ser tratados com a formalidade devida. Foi isso que a comunicação institucional fez: prestou contas, deu visibilidade ao que é de interesse coletivo, e respeitou os limites da função pública.

Já o abraço não cabia à comunicação institucional vender. Porque o abraço não se terceiriza. Não se agenda. Não se roteiriza. É ato de quem sente, e Lucinha sentiu. Foi o gesto pessoal da prefeita, não o enredo da gestão. E por isso mesmo, tocou tão fundo. Não era post. Era presença. E foi entregue por quem podia entregá-lo: ela mesma.

Quem errou, portanto, não foi a comunicação. O erro seria, ao contrário, se o marketing institucional tentasse se apropriar de um gesto que só a prefeita poderia dar. A comunicação falou com a razão. Lucinha falou com o coração. Ambos fizeram o que lhes cabia. E fizeram bem.

Neste tempo de política performática, onde até o que é verdadeiro se simula para parecer espontâneo, o abraço de Lucinha foi um gesto sem filtro, sem porta-voz, sem intermediários. Foi gente com gente. Prefeita com povo.

E é por isso que não há contradição – há soma. O peixe alimenta. O abraço conforta. O governo cuida. E Lucinha representa.

Na Semana Santa, o pão foi o peixe. Mas o vinho, meus amigos, foi o gesto. E quem não compreendeu isso, talvez precise rever mais a própria fé do que a estratégia de comunicação.

Coordenação de Comunicação Institucional da Prefeitura de Mari 

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