Análise: Asfalto de João Azevêdo salva primeiros 100 dias de Lucinha em Mari



Por trás da cortina de discursos e filmagens, a pavimentação de ruas em Mari, Zona da Mata paraibana, virou o “trunfo” que segurou os primeiros 100 dias da prefeita Lucinha da Saúde. O asfalto chegou com cheiro de alívio para uma gestão que acumulava desgastes — administrativos e políticos — logo na largada.

O pavimento é do governador João Azevêdo, mas a paternidade vem sendo reivindicada com veemência pelo ex-prefeito Antônio Gomes, mentor da candidatura de Lucinha e ainda figura 'influente' nos bastidores da gestão. A disputa pela autoria revela o tamanho da pressão interna sobre o governo municipal. Afinal, quando faltam ações próprias, sobra espaço para a herança política.

Serão pelo menos 10 ruas asfaltadas, número relevante para uma cidade do porte de Mari. O impacto vai além do trânsito: a movimentação ajuda a desviar o foco das ausências no comando, como a crise na comunicação institucional, os ruídos na base aliada e a convocação de secretários pela Câmara.

Na prática, o asfalto funciona como um “colete à prova de críticas” temporário. Minimiza as turbulências internas, abafa os erros de gestão e reanima uma base governista que andava tropeçando nas próprias contradições.

A aposta da gestão é clara: entregar obra, aparecer na foto e correr contra o tempo. Mas a pergunta que permanece, nos corredores da política local, é se Lucinha da Saúde vai conseguir imprimir sua marca — ou se seguirá administrando sob a sombra (e a voz) de seu antecessor.


Foto: Reprodução Instagram/Vídeo Institucional 

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