WAGNER RIBEIRO: A Censura Velada da Rádio Araçá FM
A liberdade de expressão, um dos pilares da democracia, tem sido alvo de ataques cada vez mais sutis. Na prática, isso se reflete em decisões arbitrárias, silenciamentos estratégicos e retaliações veladas. E foi exatamente isso que ocorreu comigo nos bastidores da Rádio Araçá FM.
Recentemente, a Agência de Notícias Mari 2.0 noticiou uma denúncia protocolada na Anatel contra a emissora. O motivo? Um suposto pagamento mensal de R$ 700,00 desde abril de 2024 para garantir espaço ao assessor de comunicação da Secretaria de Saúde de Mari, permitindo sua participação telefônica diária nos programas da rádio. Como colunista da agência, não tenho qualquer ingerência sobre o editorial. Respondo apenas pelo que assino. Ainda assim, o noticiário resultou em uma represália direta contra mim.
Desde a repercussão do caso, a cúpula da Araçá FM tem me impedido de participar dos programas jornalísticos da emissora, especialmente por telefone. Uma forma clara de censura, disfarçada de conveniência. Me deixam de stand-by, esperando por uma abertura que nunca chega. O mesmo veículo que recebe para garantir a fala de um assessor público, cala a voz de um jornalista independente.
O cenário é emblemático. A rádio comunitária, cuja missão deveria ser dar voz à sociedade, escolhe quem pode e quem não pode falar. Enquanto abre espaço para defensores do governo mediante pagamento, fecha os microfones para opiniões que possam incomodar.
Eis o paradoxo: uma emissora que se sustenta com a prerrogativa de servir ao interesse público age como se tivesse dono. Decide quem tem direito à fala e quem deve ser silenciado. É assim que se molda a narrativa, não pela verdade, mas pelo interesse.
A censura não precisa ser explícita para existir. Às vezes, ela se manifesta pelo simples fato de uma linha telefônica nunca ser atendida.
Coluna | Wagner Ribeiro
22/03/2025 14h