FISCALIZAÇÃO OU O ESPETÁCULO?Lucinha cada vez mais refém da própria gestão enquanto vereadores testam os limites do poder
A prefeita Lucinha da Saúde parece cada vez mais impotente diante da escalada de pressão imposta por uma Câmara que já percebeu sua fragilidade. O que deveria ser uma simples visita fiscalizatória ao hospital e à Secretaria de Saúde de Marí, nesta quarta (20), virou um show político-midiático com vereadores, celulares, assessores e promessas absurdas.
Em vez de fiscalização técnica, o que se viu foi gravação de vídeos, discursos políticos, falas eleitoreiras e promessas.
Uma imagem que fala mais que mil palavras
Entre as imagens divulgadas, uma foto específica chama atenção e traduz com precisão o desequilíbrio institucional atual em Marí: a secretária de Saúde, Virginia Apgar, aparece sentada diante de um notebook, visivelmente tentando prestar algum esclarecimento técnico. Ao seu redor, parlamentares em pé, de braços cruzados ou com celulares apontados para ela, como câmeras de interrogatório, gravando cada palavra, gesto e expressão.
Essa imagem escancara a inversão de papéis e a opressão simbólica a que a gestão está sendo submetida. Não se trata de uma reunião técnica ou de uma oitiva institucional. Trata-se de uma cena de cerco político, onde a técnica tenta explicar, mas é silenciada pelo julgamento antecipado, pela encenação midiática e pelo oportunismo de quem já entrou para acusar, não para ouvir.
Embora a visita tenha respaldo legal, o desvio de finalidade é claro: o ato deixou de ser institucional para virar palanque.
Enquanto tudo isso acontece, é como se Lucinha tivesse abdicado da liderança, confiando apenas na sorte ou na boa vontade de quem já deixou claro que não pretende poupá-la.
E se hoje a pressão é sobre a saúde, amanhã será sobre a educação, o transporte, o social? Vamos institucionalizar o reality show político?
O que se vê, infelizmente, é uma prefeita acuada, sem pulso, perdendo espaço na condução do governo.
Lucinha precisa entender, urgentemente, que não é mais tempo de silêncio. O Executivo não pode ser espectador de um Legislativo que se move entre a legalidade e o abuso. Porque, se continuar assim, não é só a prefeita que perderá o cargo — será a democracia municipal que perderá sua dignidade.
O Repórter nas Sombras