Trabalhadores de Mari e Sapé estão entre os resgatados em operação contra trabalho análogo à escravidão no litoral paraibano
Uma operação conjunta resgatou 59 trabalhadores que viviam em condições análogas à escravidão em obras localizadas no litoral de João Pessoa e Cabedelo. Entre as vítimas estão moradores de Mari e Sapé, cidades do interior da Paraíba. A ação foi realizada entre os dias 3 e 5 de fevereiro, e o balanço foi divulgado ontem (13), no qual a Agência de Notícias Mari 2.0 obteve informação.
A fiscalização ocorreu em cinco obras da construção civil, nos bairros de Manaíra, em João Pessoa, e nas praias do Poço e Ponta de Campina, em Cabedelo. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), as irregularidades foram encontradas em empreendimentos pertencentes a quatro construtoras, cujos nomes não foram divulgados para preservar as investigações em andamento.
Vítimas do interior da Paraíba
Os 59 trabalhadores resgatados são naturais de 13 municípios paraibanos, entre eles Mari e Sapé. A maioria deixou suas cidades em busca de uma oportunidade de trabalho, mas acabou submetida a condições degradantes, tanto nas frentes de serviço quanto nos alojamentos.
"Esses trabalhadores foram contratados para funções como servente, pedreiro, mestre de obras, betoneiro e guincheiro. Muitos vieram do interior com a esperança de uma vida melhor, mas encontraram um cenário de exploração e desrespeito aos seus direitos básicos", afirmou o procurador do Trabalho Igor Costa, que participou da operação.
Condições desumanas nos alojamentos
A fiscalização constatou que, em três das cinco construções, 39 trabalhadores estavam alojados dentro das próprias obras. Os ambientes eram insalubres: quartos sem ventilação, com colchões improvisados sobre tijolos e cavaletes, sem roupas de cama e sem armários. Em alguns casos, um único vaso sanitário era compartilhado por 30 pessoas, e a água para consumo era retirada diretamente da torneira, sem filtragem adequada.
"Além da superlotação e da falta de higiene, havia riscos graves, como fiações elétricas expostas em cômodos alagados, o que poderia causar choques elétricos e curtos-circuitos", detalhou o procurador.
Ação de fiscalização
A operação foi realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) com a participação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF).
Os trabalhadores resgatados receberam assistência imediata e serão encaminhados para o recebimento de seus direitos trabalhistas. As investigações continuam para responsabilizar os envolvidos nas irregularidades.
Esta ação reforça a importância da fiscalização contínua para combater a exploração de trabalhadores, especialmente aqueles vindos de cidades do interior, como Mari e Sapé, que buscam dignidade e encontram exploração.