Rádio Araçá FM ignora própria regra para manter assessor do governo no ar diariamente



A Rádio Comunitária Araçá FM, de Mari (PB), tem adotado critérios seletivos quando se trata de conceder espaço em sua programação jornalística. Enquanto impõe um prazo mínimo de 72 horas para assinatura de termo antes de entrevistas ao vivo, essa exigência não vale para Carlos Alcides, assessor de comunicação da Prefeitura Municipal de Mari.


Diariamente, Alcides ocupa cerca de 15 minutos nos programas jornalísticos da rádio em um formato que simula entrevistas, mas que, na prática, funciona como um boletim oficial da gestão da prefeita Lucinha da Saúde. O tom é sempre enaltecedor, sem espaço para questionamentos críticos ou pluralidade de visões. Enquanto isso, um cidadão comum que liga para a emissora dispõe, no máximo, de três minutos para se expressar – isso quando consegue ser atendido. 

No entanto, na última segunda-feira (24), Alcides ultrapassou ainda mais a linha da comunicação institucional e entrou no campo da promoção política explícita. Além das informações habituais, o assessor teceu comentários ufanistas sobre o ex-prefeito Antônio Gomes, destacando-o como um grande líder. Mas o que mais chamou atenção foi a defesa que fez sobre a escolha do sítio particular do ex-prefeito para a assinatura do contrato do programa Minha Casa, Minha Vida.

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A escolha desse local é, no mínimo, questionável. O programa Minha Casa, Minha Vida é uma iniciativa do Governo Federal voltada para beneficiar famílias de baixa renda, e sua gestão deve ser conduzida de maneira transparente e republicana. Realizar um ato oficial em um espaço privado, vinculado a um ex-gestor que ainda exerce influência nos rumos da administração municipal, configura um evidente desvio de finalidade e sugere uma apropriação política indevida de um programa público.

O caso evidencia como a Araçá FM tem permitido que a comunicação oficial do governo municipal se confunda com propaganda política, sem qualquer contraponto. Em vez de atuar como um veículo plural e democrático, a rádio comunitária parece estar cada vez mais alinhada aos interesses de um grupo específico.

Diante desse evidente desequilíbrio, a pergunta que fica é: até quando a Araçá FM seguirá privilegiando uma única voz, enquanto ignora sua responsabilidade de garantir um debate amplo e democrático?

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