Lucinha da Saúde: A Prefeita que deslegitima a própria gestão



"Quem deslegitima sua própria posse e foge do diálogo com o Legislativo está, na prática, deslegitimando os próprios votos que recebeu."

A abertura do período legislativo de 2025 na Câmara Municipal de Marí , nesta quarta-feira (26), marcou mais um capítulo da trajetória política de Lucinha da Saúde , uma prefeita que parece fazer questão de evitar o embate democrático.

Enquanto prefeitos de outras cidades comparecem pessoalmente para apresentar suas mensagens aos vereadores e à sociedade, Lucinha optou por se esconder atrás da Secretaria de Administração , em mais um gesto que reforça sua fuga institucional .

E a ausência não foi coincidência. No mesmo dia, a prefeita preferiu estar presente em um evento de assinatura de contratos da Minha Casa, Minha Vida Rural , previamente programado para o mesmo dia e horário, onde poderia brilhar sem a necessidade de enfrentar questionamentos ou críticas. Parece que Lucinha prefere as solenidades em que pode ser aplaudida do que os espaços onde sua liderança precisa ser testada e consolidada.

Essa postura não é novidade. Em 1º de janeiro , Lucinha já havia deslegitimado a própria posse quando viu a presidência da Câmara ser conquistada por uma mulher, e não pelo filho de seu padrinho político, Antônio Gomes.

Ao invés de considerar o rito democrático e assumir o cargo perante os vereadores eleitos, Lucinha preferiu um “ato popular” na praça pública, como se a solenidade oficial não tivesse valor.

Esse comportamento reforça a fragilidade política de Lucinha. Ela sabe que saiu deslegitimada das urnas – foi eleita tecnicamente sem adversários, mas perdeu em todas as urnas da cidade, uma demonstração clara de que sua vitória foi fruto de um cenário sem opções, e não de uma real aprovação popular.

Lucinha não apenas perdeu legitimidade nas urnas, mas também vê a base de sustentação política ruir diante de sua subserviência ao ex-prefeito Antônio Gomes . Com minoria na Câmara, sem estratégia de diálogo e sem capital político próprio, a prefeita de Marí se isola cada vez mais dentro da própria gestão.

O problema é que uma prefeita isolada, sem interlocução com o Legislativo e refém das vontades de um ex-prefeito que não aceita se aposentar, torna-se refém de um governo que não governa . Lucinha parece mais uma peça dentro de um jogo maior, onde Antônio ainda dita as regras, e ela apenas assina.

Sem força política para negociar com os vereadores e sem autonomia para tomar decisões estratégicas dentro da gestão, Lucinha se coloca em uma posição perigosa. O Executivo não governa sem diálogo com o Legislativo , e se continuar desprezando a Câmara, cavará sua própria ingovernabilidade.

A tendência para os próximos anos é clara: Lucinha será uma gestora sem força, sem projetos próprios e sem identidade política. Sua dependência de Antônio Gomes a impede de construir sua própria liderança, e sua incapacidade de articulação com a Câmara tende a transformar seu mandato em um período de travamentos administrativos, disputas internas e, possivelmente, fracassos políticos.

Se não mudar sua postura, a prefeita mariense corre o risco de ser lembrada não como uma líder, mas como uma marionete de um governo que não foi eleito pelo povo, mas sim imposta nos bastidores. Lucinha precisa decidir se quer governar ou se contentar em ser apenas uma gestora figurativa.

Desprezar a Câmara e fugir do debate político não são sinais de força, mas sim de fraqueza. A população de Marí já percebeu isso. E quanto mais ela se esconde, mais evidente fica a sua falta de liderança.

"O governo que desrespeita o Legislativo e ignora a democracia é um governo fadado ao fracasso. Eu sou apenas um reflexo de vocês, que enxergam além dos palanques e das solenidades. Continuarei observando."

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