Promessas Sem Orçamento: O Descompasso Entre o Plano de Governo de Governo Lucinha e a Realidade de 2025

"Promessas de campanha são como sorrisos em um palanque: encantam, mas precisam de orçamento para virar realidade. E, em Marí, o orçamento para 2025 já começa com dois terços das ideias ainda no papel."

A prefeita Lucinha da Saúde inicia sua gestão com um desafio político e administrativo gigante: um orçamento de R$ 136.239.849,00 que não reflete boa parte de suas promessas de campanha. De acordo com uma análise do PLOA 2025 em comparação com o Programa de Governo 2025-2028, impressionantes 66,67% das propostas não possuem previsão orçamentária.

Enquanto recursos foram alocados para iniciativas como a ampliação da infraestrutura de saúde, a construção de creches e o incentivo à agricultura familiar, propostas emblemáticas como o programa "Mães da EJA", a criação de uma Guarda Municipal e o Centro Odontológico para Autistas ficaram de fora.

Para quem apostava em continuidade e planejamento, a ausência de previsões para essas áreas expõe uma falha de alinhamento entre o discurso político e as necessidades administrativas. É como se o orçamento fosse entregue sem os ajustes necessários para transformar o programa de governo em um plano de ação viável.

Lucinha, que atuou como vice-prefeita até 2024, teve a oportunidade de influenciar diretamente o PLOA 2025 antes de enviá-lo à Câmara. No entanto, o levantamento das propostas sugere que essa transição não foi conduzida com a devida atenção para garantir que suas promessas estivessem no orçamento.

Esse descuido será uma arma nas mãos da oposição, que não apenas conquistou o comando da Casa de José Paulo de França, mas também demonstrou força ao eleger uma mesa diretora liderada pela vereadora Djá Moura. O descompasso entre promessas e orçamento será usado para minar a credibilidade de Lucinha, que já começa seu mandato sob questionamentos judiciais e políticos.

A nova composição da Câmara é um divisor de águas na política mariense. Com uma liderança independente e uma bancada mista, o Legislativo tem o potencial de atuar como um contrapeso ao Executivo. No entanto, essa independência também significa que a prefeita dependerá de habilidade política para aprovar suplementações e ajustar o orçamento.

Sem diálogo, Lucinha corre o risco de enfrentar um Legislativo que usará o orçamento como campo de batalha política. Sua fala deslegitimando a posse oficial na Câmara apenas reforça essa tensão e dificulta o caminho para negociações futuras.

O cenário atual de Marí oferece lições importantes: promessas bonitas no papel não bastam, elas precisam de orçamento e articulação política para sair do discurso. Quando Lucinha ignorou a solenidade de posse na Câmara, desrespeitou não apenas o Legislativo, mas também o próprio compromisso com o diálogo que pregou durante sua campanha.

E agora, a prefeita terá que lidar com uma pergunta que certamente ecoará ao longo de seu mandato: "Se havia R$ 136 milhões disponíveis, por que duas em cada três promessas ficaram de fora?"

Enquanto o orçamento para 2025 começa a ser executado, as ruas estarão atentas. Porque, em Marí, como em qualquer lugar, o eleitor espera mais do que discursos. Ele espera resultados. E, quando as promessas não cabem no orçamento, é responsabilidade da prefeita explicar como corrigirá o rumo.

"Eu sou apenas um reflexo de vocês, que enxergam, mas não podem falar. Continuarei observando, porque em Marí, o que não está no orçamento, não está no futuro."

O Repórter nas Sombras 

Foto: Reprodução Instagram 





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