Repercussão – Entrevista de Marcos Sales expõe fragilidades, bastidores e tensão no governo Lucinha da Saúde em Mari
Logo no início da conversa, Sales foi direto: “A gente não tem um cenário definido de quem é quem dentro do governo”. A fala resume o sentimento de desorganização interna e falta de definição de papéis estratégicos. Ainda segundo ele, essa indefinição compromete a defesa pública da gestão: “Nós temos a dificuldade de fazer a defesa”, disse, ressaltando o silêncio de integrantes do governo, que não se manifestam em defesa da prefeita nem das ações da administração.
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi a referência à figura do ex-prefeito Antônio Gomes, cuja presença simbólica, segundo Sales, atrapalha a imagem de Lucinha da Saúde, ainda vista por parte da população como vinculada ao governo anterior. A crítica reforça a percepção de que a prefeita ainda não conseguiu se desvincular da sombra política de seu antecessor.
Sales também abordou um tema recorrente: a quantidade de assessores na Comunicação. Desmentiu os números divulgados anteriormente — primeiro 15, depois corrigidos para 14 — e afirmou que a equipe real é formada por 3 profissionais contratados de uma empresa especializada e 9 servidores da administração pública.
Na entrevista, o coordenador reconheceu a centralidade do chefe de gabinete Acássio Barra, ao afirmar que “toda ação ou parcial do governo passa por Acássio”. A fala confirma que a Comunicação, embora institucional, está tecnicamente subordinada à chefia de gabinete, o que evidencia uma estrutura concentrada de decisão. Vale ressaltar que Acássio Barra foi acusado por um ex-vereador de preparar fake news contra o ex-prefeito Antônio Gomes, seu desafeto burocrático no governo.
Outro trecho de destaque foi o desejo de mudanças no secretariado, mesmo com menos de seis meses de gestão. “Quando você muda, dá um gás novo”, disse Sales, sem citar nomes, mas deixando claro que setores da gestão não estão entregando o desempenho esperado.
Além das críticas internas, Sales também mirou parte da imprensa local. Usando como exemplo o episódio do desabamento do toldo do Hospital Municipal Sagrado Coração de Jesus, o coordenador questionou o tom e o momento das cobranças feitas por veículos de comunicação. Segundo ele, houve pressão imediata por uma resposta, mesmo com a Prefeitura levando 12 horas para emitir uma nota oficial. Para Sales, parte da imprensa atua com cobranças em horários e situações que dificultam uma resposta equilibrada, o que, segundo ele, atrapalha ainda mais a gestão da informação em momentos de crise.
Encerrando a entrevista, Sales avaliou que a temperatura política está calma, em referência à adesão de membros do chamado G6 — grupo de seis vereadores que antes faziam oposição e hoje integram, direta ou indiretamente, a base governista.
A entrevista deste sábado escancarou fissuras internas e tensões externas no governo Lucinha da Saúde. Em um só discurso, Marcos Sales colocou na mesa temas espinhosos: desarticulação interna, presença de figuras do passado, questionamento à imprensa e desejo de mudanças. A fala do chefe da Comunicação, mais do que um desabafo, funciona como um alerta — de que a imagem do governo está fragilizada e que, sem organização e vozes ativas, a prefeita corre o risco de não assumir, de fato, as rédeas da sua própria gestão.